Coronavírus muda velórios na Europa

Na Europa, restrições de viagem e de reuniões com mais de 20 pessoas estão privando as famílias dos velórios de parentes, e enterros têm sido feitos a portas fechadas ou transmitidos por vídeo.

Diante do coronavírus, muitos europeus confinados não podem mais prestar uma última homenagem ao falecido. Famílias têm desistido de ir ao funeral de seus entes queridos. Os que vão podem enfrentar multas por ter participado de uma procissão fúnebre. Uma das alternativas tem sido fazer enterros com transmissão em vídeo pela internet.

“Relutantemente, desisti com minha irmã de ao ir ao funeral”, explica Emmanuelle Caradec, que vive em Paris e cuja avó morreu em Nantes, 400 quilômetros a oeste. Além das restrições de viagem, a França limita a 20 o número de pessoas que podem acompanhar o falecido no cemitério ou crematório.

“O que vou dizer é terrível de ouvir: precisamos limitar os deslocamentos o máximo possível e, mesmo sob essa circunstância, não devemos nos desviar da regra”, disse o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe.

Bênçãos rápidas ainda podem ser dadas no cemitério ou no crematório, privados de um registro de condolências pelas mesmas razões sanitárias, sem mencionar que os participantes não podem se confortar com beijos ou abraços.

Também não há exceções para os “famosos”. A família da cineasta Tonie Marshall, recentemente falecida, teve que desistir de organizar uma missa, assim como a da atriz Suzy Delair. A Itália, o primeiro país europeu a confinar sua população, foi ainda mais longe suspendendo cerimônias religiosas, “incluindo enterros”.

Fila na porta do cemitério

Na última quarta-feira (18), em Bergamo, uma cidade italiana particularmente afetada pelo vírus, os carros funerários aguardavam em fila, em frente aos portões fechados do cemitério Monumental.

“Fechamos o cemitério para que as pessoas não usem o ônibus entre a cidade e o cemitério para uma despedida final de seus entes queridos”, disse Giorgio Gori, prefeito da cidade.

“Mas reabrimos a câmara funerária e a capela para guardar os muitos caixões”, continua ele. Somente uma bênção rápida é dada ao falecido. Na Sicília, 48 pessoas foram multadas por terem participado de uma procissão fúnebre.

“Para um familiar ou amigo, não poder acompanhar o falecido até o final pode representar um choque duradouro”, confirma a psicóloga Marie-Frédérique Bacqué, professora de psicopatologia da Universidade de Estrasburgo e autora de livros de referência sobre o luto.

“A única solução é fazer uma substituição em pensamento. Acender uma vela é o símbolo mais simples e sugestivo, pensar na pessoa que amamos, instalar fotos ou flores. É o melhor enquanto aguarda para visitar o túmulo mais tarde”, finalizou Marie.

Fonte: g1.globo.com

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